Trazias de Lisboa o que em Lisboa é um apelo do mar: um mais além. Trazias Índias e naufrágios. Fado e Madragoa. E o cheiro a sul que só Lisboa tem. Trazias de Lisboa a velha nau que nos fez e desfez (em Lisboa por fazer). Trazias a saudade e o escravo Jau pedindo por Camões (em Lisboa a morrer). Trazias de Lisboa a nossa vida parada no Rossio: nau partida em Lisboa a partir (Ó glória vã não mais não mais que uma bandeira rota). Trazias de Lisboa uma gaivota. E era manhã. Manuel Alegre, in Obra Poética |
26.1.12
Trazias de Lisboa
17.10.11
Debate sobre Poesia e Património Intangível
Amanhã dia 18 de Outubro, no Centro Nacional de Cultura, pelas 18:30, debate com José Jorge Letria, Luísa Costa e moderação de Maria Calado.
Programação do CNC em:
http://issuu.com/centro_nacional_de_cultura/docs/descobertas_out_2011_af_net/1
Programação do CNC em:
http://issuu.com/centro_nacional_de_cultura/docs/descobertas_out_2011_af_net/1
11.9.11
Lisboa e poesia
"São inúmeros os factores que podem influenciar a prática de poetizar os lugares e a cidade, poderão derivar da beleza de Lisboa, da sua luz única que ilumina o casario e se espraia pelas colinas enfatizando o colorido do casario, da proximidade do Tejo grande porta da cidade lugar de partida e chegada, associado a perda e tristeza mas também à esperança de um retorno, sentimento de grande melancolia que a palavra saudade tão bem reflecte, e que Cesário Verde desvela no seu poema “O Sentimento dum Ocidental”. Mas também, inevitavelmente, a profusão de inúmeras camadas históricas e sucessivos passados que estabelecem um diálogo permanente com o presente e que podemos vislumbrar de qualquer ponto mais elevado da cidade, ou experienciar ao percorrer as ruas, as calçadas, os becos e praças que lhe emprestam singularidade e compaginam a cidade numa linguagem por vezes intrincada mas diversificada e constituída por memórias, histórias e imagens."
Maria Luísa Costa. Culture and Mediation: the role of design in preserving the intangible heritage. Sharing Cultures 2011- Proceedings of the 2nd International Conference on Intanglible Heritage. Tomar: Ed Green Lines Institute 2011. p:51
7.9.11
Património Intangível - repensar as relações passado/presente
“Tornar mais operativa a noção de PCI implica desafiar a sua narrativa dominante reconceptualizando-a como algo em constante negociação, através do que manterá um carácter dinâmico e não de mera celebração da sobrevivência do passado e terá mais possibilidades de corporizar um modelo de “conservação emic” sustentado pela respectiva comunidade de praticantes. Um tal posicionamento passa pela aceitação de que têm de ser repensadas as relações entre o passado e o presente.”
Alice Duarte O DESAFIO DE NÃO FICARMOS PELA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL Actas do I Seminário de Investigação em Museologia dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola, Volume 1 2009, pp. 41-61
Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/37378061/1º-Seminario-de-Investigacao-em-Museologia-dos-Paises-de-Lingua-Portuguesa-e-Espanhola-vol-1
Alice Duarte O DESAFIO DE NÃO FICARMOS PELA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL Actas do I Seminário de Investigação em Museologia dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola, Volume 1 2009, pp. 41-61
Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/37378061/1º-Seminario-de-Investigacao-em-Museologia-dos-Paises-de-Lingua-Portuguesa-e-Espanhola-vol-1
31.8.11
22.8.11
Para que serve a poesia...
"Toda a habitação (toda a existência) supõe uma relação com os lugares, quer sejam ocupados, deixados ou atravessados, lembrados ou imaginados, próximos ou longínquos. Razão por que, mais ou menos, toda a poesia é, segundo a expressão de Goethe, poesia de circunstância. Conquanto tome em consideração o que nela há de contingência irredutível ao conceito (e, logo, à linguagem), o poema é a experimentação de um indisponível que outros chamarão de sagrado..."
Jean-Claude Pinson
in "Para que serve a poesia hoje?" p:38
20.8.11
Luz de Lisboa
Lisboa
A luz vinha devagar
Através do firmamento...
Vinha e ficava no ar,
Parada por um momento,
A ver a terra passar
No seu térreo movimento.
Depois caía em toalha
Sobre as dobras da cidade;
Caía sobre a mortalha
De ambições e de poalha,
Quase com brutalidade.
O rio, ao lado, corria
A querer fugir do abraço;
Numa vela que se abria,
E onde um sorriso batia,
O mar já era um regaço.
Mas a luz podia mais,
Voava mais do que a vela;
E o Tejo e os areais
Tingiam-se dos sinais
De uma doença amarela.
Ardia em brasa o Castelo,
Tinha febre o casario;
Cada vez mais nosso e belo,
O profeta do Restelo
Punha as sombras num navio...
Nas casas da Mouraria,
Doirada, a prostituição
Era só melancolia;
Só longínqua nostalgia
De amor e navegação.
(...)
Miguel Torga, in “Poesia Completa”
Fotografia tirada no terraço do Hotel Mundial
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