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30.11.12

Design para a diversidade cultural




Como forma de disseminação do conhecimento, saiu hoje na Revista Convergências* nº 10, um artigo no qual se aborda a importância do Património Intangível na diversidade cultural, desenvolvendo-se uma reflexão sobre a importância do Design de Comunicação na sua preservação.

O artigo cujo título é: "Design para a diversidade cultural", pode ser consultado aqui: http://convergencias.esart.ipcb.pt/autor/129

"Revista Convergências - Revista de Investigação e Ensino das Artes" é um espaço de disseminação do conhecimento científico, editada pela Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART). Para mais informações sobre a revista consulte o endereço: http://convergencias.esart.ipcb.pt/main

9.11.12

CAM, no próximo dia 13 Nov


Namorar o espaço a obra
Este é o mote dado para descobrir “Construção para lugar nenhum”, de Carlos Nogueira.

Neste projecto de mediação, pretende-se que a apreensão da obra resulte da colaboração activa de todos os intervenientes, através de uma resposta ao desafio transversal de provocação dos sentidos e de emoções ao qual se alia o do fazer (desenhar, escrever, riscar, etc).
Esta participação, será estimulada por propostas lançadas num pequeno “caderno de notas”, desenvolvido conceptualmente segundo uma perspectiva  comunicacional de design e estruturado a partir da observação das práticas e técnicas utilizadas pelo autor na concepção das suas obras. Pretende-se que o mesmo convoque dimensões afectivas e sensitivas pela sua dimensão táctil e visual, manifestadas na expressividade dos materiais utilizados, na representação informal dos seus conteúdos, assumindo-se como um objecto de trabalho que requer do participante uma intervenção a fim de ser finalizado.
A performance, prática recorrente no trabalho de Carlos Nogueira, estará também contemplada neste processo de mediação. 
Horários e mais informações disponíveis em:  http://www.culturgest.pt/actual/03-21-enaenp.html

O caderno (work in progress)





28.4.12

Workshop Communication Design























Participação como oradora convidada no “Workshop, Communication Design" realizado no âmbito da VI edição do Curso de Doutoramento em Design da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa

Neste workshop procedeu-se à apresentação da investigação, com principal enfoque na problemática da globalização, analisando-se o contributo que o design pode ter na preservação da diversidade cultural. 

Numa segunda parte do workshop, e por se estar perante um grupo de observadores privilegiados (designers e investigadores), foi desenvolvido trabalho no sentido de validação do programa conceptual de design, bem como os veículos e meios preconizados para comunicar a poesia enquanto Património Intangível de Lisboa. 

14.12.11

Design e Património Intangível


Comunicação/aula realizada na Faculdade de Arquitectura da UTL, no âmbito da unidade curricular "Cultura e Estética Urbana" do curso de Mestrado em Moda, Dezembro 2012.

A comunicação realizada teve por mote a importância do Património Intangível e suas significações na na Cultura e Estética Urbana, assim como a possibilidade de apropriação, reinvenção e reinterpretação deste património pelo design. 




"A verdadeira novidade que perdura é a que toma todos os fios da tradição e os tece novamente num padrão que a tradição seria incapaz de criar”

PESSOA, Fernando. Heróstrato e a busca da identidade.Lisboa: Assírio e Alvim, 2000, p:91


Desenho e colagem de: Rogério Silva

10.8.11

Participação no 6º CIPED









No âmbito desta investigação, será feita uma comunicação no 6ª Congresso Internacional de Pesquisa em Design, a realizar nos dias 10, 11 e 12 de Outubro na Fundação Calouste Gulbenkian

Título: Design, para a Inteligibilidade e Fruição do Património Intangível
Subtítulo:Design, Lisboa e Poesia

Sumário:
Esta comunicação tem por objectivo apresentar uma investigação que está a ser desenvolvida no âmbito de um doutoramento em design, e na qual se pretende comprovar a importância da disciplina na sociedade contemporânea, designadamente na identificação e preservação do património intangível. Por via da investigação, e do rigor projectual, pretende comprovar-se que a poesia é património intangível da cidade de Lisboa e que o design é determinante no desenvolvimento de conceitos e estratégias que possibilitem e incentivem o diálogo entre os cidadãos e a sua história, evidenciem vivências passadas e presentes, construindo assim, as memórias do futuro. Assegurando, enfim, a identidade local e a diversidade cultural universal, no mundo global em que vivemos. 


4.6.11

Participação na 2ª Conferência "Sharing Cultures"


No âmbito desta investigação, será apresentada uma comunicação à 2ª Conferência Internacional sobre Património Intangível, a qual terá lugar em Tomar de 3 a 6 de Julho.

Título da comunicação:
"Cultura e mediação: o papel do design na preservação do património intangível"
Resumo:
"Partilhar cultura passa por comunicar e difundir o que de mais genuíno e diferenciador cada comunidade possui. A língua constitui-se como património primordial de cada povo, e a literatura como veículo singular de preservação e disseminação, não apenas da língua mas também das idiossincrasias culturais. Em Portugal, a poesia é um meio de comunicação privilegiado com elevados índices de recepção. No caso de Lisboa, a produção poética é extensa e cada rua da cidade encontra-se indelevelmente marcada pelo olhar dos poetas. O design terá um papel determinante enquanto mediador, na construção de estratégias e processos que facultem o acesso a este Património Intangível."
 

27.3.11

Lisboa e poesia



Lisboa e Poesia no facebook










A minha investigação encontra-se na fase de conclusão de entrevistas a peritos, as quais, têm por objectivo a validação das opções efectuadas no que se refere à cidade, à poesia, aos poetas e às estratégias comunicacionais.
Com a conclusão desta fase, iniciar-se-á um novo ciclo de trabalho que será, prioritariamente, direccionado para o projecto de design.
Por razões que se prendem com a conceptualização e estruturação do projecto de design criei a página, no Facebook, que aqui referencio.
Esta página, encontra-se aberta à participação de todos, sem qualquer restrição e pretende aferir interesses, níveis participativos, bem como, sondar vontades por parte dos indivíduos, instituições e comunidades.

Visitem-na, divulguem-na e participem!

16.2.11

CSO'2011

Congresso Internacional "Criadores Sobre outras Obras"
No âmbito desta investigação será apresentada, a este congresso, uma comunicação com o título: Design
e narrativas poéticas urbanas: Uma reflexão sobre as obras "Lisboa, cidade triste e alegre" e "London Diaries"


"Lisboa, cidade triste e alegre" data de 1959, é da autoria de Victor Palla (1922-2006) arquitecto, fotógrafo e designer, e de Costa Martins (1922-1995) arquitecto e fotógrafo.

"London Diaries" data de 1994, é da autoria de Daniel Blaufuks
(1963) que utiliza no seu trabalho a fotografia, apresentando o resultado em livros, instalações e vídeos e tem a coordenação gráfica de Luís Serpa (1948), gestor de projectos culturais.

O congresso terá lugar nos dias 15, 16 e 17 de Abril 2011 na Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa.


29.1.11

Cidade, experiências poéticas

“…a cidade não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes e entalhes.”
Italo Calvino in “as cidades invisíveis”

Existe uma cidade onde a luz única amplia o imenso colorido do casario que se estende e difunde pelas suas sete colinas de paisagem inventada para debruar um rio que é quase mar, espelho imenso onde amiúde se revê e deixa ver. A este cenário, só por si encantatório, acrescem inúmeras camadas históricas e sucessivos passados em permanentemente diálogo com o presente. Da conjugação de todos estes aspectos resulta uma alma e uma aura às quais não é possível permanecer alheio. Este facto concorre para que muitos escritores, tenham tido para com ela um olhar comprometido e cúmplice, transpondo-o posteriormente para as suas obras literárias. No caso particular da poesia, esta tendência assume particular relevo. Muitos poetas de referência da cultura portuguesa, marcaram de forma indelével cada um dos lugares, ruas e praças, desta cidade que se chama Lisboa, reforçando-lhe o espírito e a poética.

A poesia em articulação com cada um dos lugares que descreve, constitui uma dimensão invisível da cidade, um imenso património intangível, que poderíamos percorrer, afagados pelo aprazível cântico dos poetas, uma cidade na qual nos poderíamos perder de acordo com o pensamento de Benjamin (1992:p115). “(…)Perder-se, …, numa cidade, tal como é possível acontecer num bosque, requer instrução. Nomes de ruas devem então falar àquele que se perdeu como o estalar de ramos secos, e pequenas ruas no interior da cidade devem reflectir-lhe as horas do dia com tanta clareza como se fossem um vale”.


Para tal, haveria necessidade de fornecer pistas e referências que possibilitassem a inteligibilidade e a fruição da cidade e da poesia, através de uma intervenção de design que de modo consciente e sustentável, enfatizasse a poética da cidade, dinamizasse o espaço público, protegesse as suas dinâmicas sociais.


O espaço público do centro histórico da cidade, é ainda local de encontro e de trocas culturais e afectivas, mas a sua dimensão simbólica deve ser permanentemente enfatizada, o seu sentido sublinhado, incentivando assim, vivências e experiências que produzam dinâmicas, pelo que o design (de acordo com Lynch, 2003), deve convidar à exploração das mesmas. Precisamos efectivamente de um meio ambiente que não seja somente bem organizado, mas também poético e simbólico, que encoraje a retenção de memórias e que nos fale das nossas tradições e da nossa história.


28.9.10

FCG - Biblioteca de Arte

FCG - Biblioteca de Arte atribuiu em Junho de 2010, um gabinete de investigação a este projecto. Facto que tem sido determinante na evolução desta investigação em design.

26.8.10

CIDAG

Realizar-se-á em Lisboa de 27 a 29 de Outubro de 2010, a 1ª Conferência Internacional em Design e Artes Gráficas (CIDAG), organizada pelo ISEC e pelo IPT, contará com a presença de individualidades de relevo mundial.
No âmbito da presente investigação foi apresentada, a esta conferência, uma comunicação da qual se publica o resumo:

Design, património intangível e responsabilidade social

Se a responsabilidade social do designer é extremamente significativa no que se refere às questões relacionadas com a protecção ambiental, não o é menos no que concerne à protecção da diversidade cultural, pois a globalização introduz dinâmicas que tendem a contribuir para uma grande homogeneização. Como forma de obstar a esta realidade foi aprovada pela UNESCO, em 2003, a “Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”. Este património é a expressão sensível, emocional e subtil da identidade de um povo ou de uma comunidade, construída e alicerçada de geração em geração e que necessita de ser preservada.

Considera-se que o design pode ter um papel determinante na preservação do património intangível, pois este necessita ser comunicado e transmitido com rigor, contemplando todas as subtilezas de que é constituído. Na prática do design, conferir inteligibilidade a conceitos complicados, simplificando e depurando ideias complexas, é um procedimento comum. A melhor forma de comunicar é dar ao observador o maior número de ideias num menor espaço, tanto temporal como físico, e com o mínimo desperdício de meios. Encontram-se neste contexto mapas e esquemas, nos quais são conjugadas múltiplas e variadas informações com veracidade e rigor [1].

No entanto a fruição associada à experienciação assume na actualidade um lugar preponderante. Estamos cada vez mais interessados em consumir informações e cada vez menos em fazer ou possuir coisas. O homem será cada vez mais um performer, um Homo Ludens e não um Homo Faber, para o qual não importa ter ou fazer, mas sim conhecer e vivenciar [2]. Também neste âmbito, o design associando conhecimentos teóricos e investigação, recorrendo à criatividade e à tecnologia, pode possibilitar abordagens culturais criativas e dinâmicas, no sentido de propiciar experiências lúdicas, que se oponham à actual tendência de homogeneização das sociedades, a qual deriva do processo de grande aceleração da globalização. Criando assim condições para que a globalização não consista num processo de anulação de diferenças, mas que caminhe a par da diversidade, o que será possível se a oferta de “produtos” globais vier incentivar o desenvolvimento de “produtos” locais através de processos criativos [3].

Da interligação destas questões surgiu uma investigação no âmbito do design que pretende através de um suporte teórico e de uma prática projectual, comprovar que esta área disciplinar possui as ferramentas necessárias para preservar o Património Intangível, possibilitando a inteligibilidade e fruição da poesia que sobre a cidade de Lisboa foi escrita, ancorando-a ao seu património material. Ao fazê-lo, contribuirá para a assumpção e dinamização das características e particularidades da cultura local, enriquecendo também deste modo o património cultural global.

Referências bibliográficas
[1] E. Tufte, Envisioning Information, Graphic Press, 1ª Ed.: Cheshire Connecticut, 1990.
[2] V. Flusser, Vilém, O Mundo codificado -por uma filosofia do design e da comunicação, Cosac Naify, 1ª Ed.: São Paulo, 2007.
[3] A. Melo, Globalização cultural, Quimera, 1ªEd.: Lisboa, 2002.

Participação no CIT 2010

Realizou-se no passado mês de Junho de 21 a 23, o Congresso Internacional de Turismo (CIT 2010) sob o tema geral “Património e Inovação”, este congresso foi organizado pelo ISCET e contou um conjunto de personalidades de reconhecido mérito da área académica e empresarial, designadamente: Prof. Gregory Ashworth da Universidade de Groningen – Holanda; Prof. Michael Hall da Universidade de Canterbury - Nova Zelândia; Prof. Michel Maffesoli da Universidade de Paris Descartes - França e Prof. Allan Williams da London Metropolitan University - Reino Unido.


Resumo da comunicação apresentada ao CIT 2010

Cidade, itinerários intangíveis
As grandes cidades encontram-se, mais do que os locais recônditos de cada país, sujeitas a uma grande pressão uniformizadora. Fruto da globalização as cidades são cada vez mais cosmopolitas e iguais entre si. O seu património é o que de mais diferenciador possuem, mas é importante inovar, possibilitar experiências ao nível sensorial, que suplantem a experiência física e cognitiva e se revelem como experiências diferenciadas dentro dos produtos existentes.

O património imaterial, desde que rigorosamente comunicado pode constituir um elemento de poderosa diferenciação das cidades. Facultar o conhecimento da cidade e deste património através de itinerários culturais constituirá uma mais-valia no âmbito do turismo cultural. Revelar a cidade no que de mais singular a caracteriza e percorre-la sob o olhar enlevado de poetas que a descreveram, constituirá mais que um produto inovador, uma experiência inesquecível.

O design terá, na prossecução deste objectivo um papel decisivo, tanto estratégico como operacional ao nível da comunicação do património intangível, dos lugares e do património imóvel que lhe estão associados, contribuindo assim para a revelação da identidade cultural da cidade e do seu povo, bem como da sua história, correspondendo aos anseios sociais de uma dinâmica ao nível do turismo, exigente e inovadora.

12.3.10

Contributo para as cidades num próximo futuro

No âmbito do programa “Próximo Futuro”, realizou-se no passado dia 25 de Fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, um workshop de investigação sob o tema “as cidades”.

Neste workshop, foi objecto de reflexão, a cidade contemporânea, as suas dinâmicas culturais, sociais, económicas e financeiras. Subjacente a esta reflexão este presente em permanência a questão se podemos e, de que forma podemos e/ou devemos intervir no futuro.

Uma das questões colocadas, na sequência da primeira intervenção “Convite para as paisagens literárias urbanas” e retomada, repetidas vezes durante o dia, foi a seguinte: é a paisagem que faz a literatura ou a literatura que faz a paisagem. A questão ficou em aberto.

A este respeito, e porque os pontos de contacto com a minha investigação são evidentes, parece-me oportuno referir que viver a cidade, tem tanto de físico como de sensorial, e de salientar que possibilitar a fruição de uma paisagem tendo em simultâneo acesso ao que foi escrito sobre aquele lugar específico, acrescentando-lhe para além da sua dimensão física uma dimensão emocional feita de memórias e sensações, é o grande desafio deste projecto de design. Construir um LUGAR onde a paisagem e a literatura se incorporem e se complementem criando uma dimensão absolutamente intangível, será certamente, um válido contributo para as cidades num próximo futuro.

22.2.10

A poesia, também se expõe [2]

Encontrando-me em S. Paulo, tornava-se imprescindível uma visita ao Museu da Língua Portuguesa. O objectivo desta visita, foi observar como se pode expor algo tão imaterial como a língua, sendo isto possível com recurso à mediação de diferentes suportes interactivos, multimédia e gráficos. É através destes suportes que nos é dado ver e percepcionar a língua portuguesa enquanto elemento comunicacional, mas também cultural.

De uma forma lúdica, é-nos ainda dada a possibilidade de identificar a origem de diversas palavras, a sua história e principais influências sofridas.

À margem da exposição permanente, estava patente uma mostra dedicada a Cora Coralina (Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretãs) com o título “Cora Coralina – Coração do Brasil”, exposição de homenagem à poetisa, na qual era recriado o seu universo pessoal, composto por cadernos manuscritos com poemas e anotações, cartas, publicações e fotografias. Todo este espólio enquadrado num cenário que aludia a janelas coloniais ou ao balaústre de uma ponte, imagens representativas do universo físico vivido pela autora.
Este projecto expositivo teve a curadoria de Júlia Peregrino e a cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara.

Caixas de luz com fotografias do universo da poetisa

Caderno de poemas

Num outro espaço da cidade de S. Paulo, o “Centro Cultural Itaú”, a poesia continua a expor-se, desta vez sob a curadoria de Ademir Assunção e com o título “Ocupação Paulo Leminski: Vinte anos em outras esferas”. Também nesta exposição, dedicada ao poeta, romancista e compositor, o universo do poeta é recriado através das suas composições, dos seus manuscritos e objectos pessoais. Para a sua apresentação foram utilizados diversos suportes gráficos e multimédia.

Fotografia do poeta e entrada para exposição

Universos significativamente diversos, foram comunicados de forma diversa, fazendo com que, também aqui, a essência da poesia fosse intensificada, e as idiossincrasias dos seus autores facilmente apreensíveis.

15.2.10

A poesia, também se expõe [1]

Entre 20 Junho e 30 Setembro de 2009, quem passeou pelos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian pôde surpreender-se com este acontecimento. Durante cerca de 3 meses, foi dada a possibilidade a quem por ali passou, de se sentar ou deitar em enormes almofadas e usufruir de um ambiente muito especial, constituído pelo jardim envolto em muita poesia.

Obras, de autores de diferentes nacionalidades, clássicos, modernos e contemporâneos, foram expostas em toldos ao longo de um percurso com cerca de 80m.

Os jardins ficaram mais deslumbrantes, a essência da poesia intensificou-se, quem por ali passou, ficou enlevado.





Realização integrada no programa “Próximo Futuro”, da Fundação Calouste Gulbenkian

Estrutura dos toldos da Arquitecta Teresa Nunes da Ponte, Selecção dos poemas de António Pinto Ribeiro e Coordenação técnica de Jorge Lopes


Meio da Vida

Porque as manhãs são rápidas e o seu sol quebrado
Porque o meio-dia
Em seu despido fulgor rodeia a terra
A casa compõe uma por uma as suas sombras
A casa prepara a tarde
Frutos e canções se multiplicam
Nua e aguda
A doçura da vida

Sophia de Mello Breyner Andresen

4.2.10

Participação no 5º CIPED em Bauru

No âmbito desta investigação foi apresentada, ao “Congresso Internacional de Pesquisa em Design” realizado em Bauru - S. Paulo, nos dias 10, 11 e 12 de Outubro, uma comunicação com o título: “Design para a fruição poética da cidade”

Resumo
“Ao Design apresentam-se novos desafios sociais e culturais, nomeadamente no que ao património imaterial (poesia) diz respeito, a sua articulação com a cidade, o natural reforço do espírito do lugar que daí decorre, a função pedagógica e lúdica resultante desta articulação e a sua posterior conversão em reforço identitário.”

Nesta apresentação, optou-se por fazer uma demonstração da mais valia que constituiria conhecermos um lugar, através do olhar de um poeta. O espaço abordado foi circunscrito ao largo do Teatro Nacional de S. Carlos, Igreja dos Mártires e ruas adjacentes, que foram lugares de referência para Fernando Pessoa. Foi num prédio em frente ao teatro que o poeta nasceu e onde viveu com os pais, irmão mais novo e avó paterna até à morte do pai, sendo patente na sua obra a nostalgia e a memória feliz que conservou deste lugar, e que expressa do seguinte modo:

Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo…
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos…)
PESSOA, Fernando. Obra Poética I Volume. Lisboa: Círculo de Leitores, 1986 (p180)
Ou, na voz do seu heterónimo Álvaro de Campos:


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há muitos séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.


CAMPOS, Álvaro – Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Edições Ática, 1980 (p284)

Também a Igreja dos Mártires onde Pessoa foi baptizado, nas imediações do teatro, é referencia na sua obra aludindo a ela desta forma:

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
PESSOA, Fernando. Obra Poética I Volume. Lisboa: Círculo de Leitores, 1986 (p211)

1.2.10

Design, cultura e património intangível

O design, entendido como um processo que relaciona diferentes áreas de conhecimento, tem como objectivo tornar viável, de modo eficaz, qualquer tipo de necessidade social ou cultural, recorrendo para tal, a técnicas e saberes específicos que possibilitam procedimentos projectuais adequados, enfrenta na sociedade actual novos desafios, directamente relacionados com as necessidades e tendências inerentes à nossa contemporaneidade. Nestas, a inteligibilidade e fruição do património cultural, assumem manifesta importância e devem propiciar a experiência física e sensorial, como forma de potenciar o conhecimento, quer tenham uma finalidade didáctica ou lúdica.

Também, a actual dinâmica da globalização, veio colocar novos reptos aos territórios e aos indivíduos, a hegemonização, por um lado, e a uniformização cultural por outro, exigem dinâmicas criativas, que coloquem em evidência as singularidades e especificidades culturais de cada local e de cada povo, de modo a obstar esta realidade.

Neste sentido a UNESCO, tem vindo a dar particular atenção ao património cultural imaterial e à sua salvaguarda, pois este constitui-se como principal elemento de diferenciação entre os povos, reside na sua cultura e memória sendo indissociável do património material que lhe dá expressão, seja este de ordem edificada, paisagística ou artística.

Deve por esta razão, ser identificado, valorizado e protegido de acordo com o designado na “Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”.

Neste projecto de design, pretende-se contemplar todas estas dimensões, sejam elas ao nível das necessidades dos cidadãos, ou das recomendações da UNESCO.

28.1.10

Design e património intangível

Pretende-se nesta investigação apurar qual a real dimensão da importância do design na revelação e fruição do património intangível. Isto porque, todo o património cultural na sua dimensão material e intangível necessita de um processo de mediação que possibilite o verdadeiro conhecimento e fruição.

A poesia tem características muito particulares como bem cultural. Exprime-se em parte na materialidade da criação literária escrita, e na intangibilidade dos conteúdos, sentimentos e emoções que suscita estabelecendo uma ligação com os lugares que evoca.

O projecto de design terá por objectivo viabilizar e revelar a obra poética que sobre a cidade foi escrita, criando um espaço museal e ancorando a poesia (património intangível) no património material da cidade, de modo a que também a poética do lugar se revele.

Miradouro Sofia de Melo Breyner Andresen

Paisagens invisíveis

“Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida
Livro do desassossego de Bernardo Soares 

Através do heterónimo de Bernardo Soares, é assim que Fernando Pessoa se refere às pessoas com as quais nos cruzamos nas ruas e, a quem, não atribuímos sentimentos, angustias, tristezas ou alegrias. Pouco mais são, para nós, do que matéria.

Se, de certa forma isto é verdade em relação às pessoas, que dizer então das ruas que habitamos?

Conhecemos cada rua, cada esquina, cada prédio, cada café, aos quais estão associadas um sem número de paisagens invisíveis. A paisagem, não é mais do que uma construção do olhar, de um ponto de vista, e este depende sempre da nossa cultura, das nossas memórias e das nossas percepções.

As ruas do centro histórico da cidade de Lisboa, sobejamente conhecidas, estão povoadas de inúmeras paisagens invisíveis, constituídas por sensações e memórias, registadas e ampliadas nas obras poéticas que sobre elas foram escritas e que importa revelar, de modo a possibilitar múltiplos olhares, diferentes leituras da paisagem e a experienciação da cidade através de diferentes derivas literárias.

Este pequeno intróito tem por objectivo justificar o nome dado ao blogue, e descrever o âmago do projecto de investigação em design o qual se pretende assim revelar.

Assim, este blogue, funcionará como instrumento de disseminação do conhecimento adquirido no âmbito da investigação em design, que me encontro a desenvolver.